desculpa o egoismo...
Mas hoje estou feliz. Não matei o presidente. Nem me interessa essa política atual, é um pior que o outro. Não acertei a mega-sena e continuo andando de metrô. Hoje estou feliz porque li algo confortante. Não foi a condenação de Sadam Hussein, tampouco a inclusão do Brasil no conselho de segurança da ONU. Foi na primeira Rolling Stones publicada por aqui com La Bündchen na capa que li algo confortante. Um tal diário de bordo do baterista do Cansei de ser sexy, a banda que descobri em New Jersey.
O mais engraçado de tudo é que li algo ruim, na verdade. Por isso me "desculpa o egoísmo". Quando não ouvia nada brasileiro além de marchinhas de carnaval e MPB, decidi, por recomendação de uma revista qualquer underground brasileira, baixar o som dessa nova banda que misturava eletrônico com rock and roll. O famoso eletrorock. Estava há mais de um ano distante fisicamente de São Paulo, e tentava escutar as mesmas tendências para não perder o tom da metrópole. Até porque sabia que voltaria; só não tinha data marcada.
Depois de cinco mp3 baixados, passei a admirar o som. Esperançoso como sempre, pensava no dia em que fariam uma turnê por lá. E por se tratar de uma banda que se expressa quase sempre em inglês, nas mãos de marqueteiro internacional de bom gosto (Marcelo Bôscoli, da Trama), jurava que ainda os veriam em solo norte-americano. Se por conspiração do universo, se por boa lábia do tal marqueteiro ou pela qualidade do som eu não sei, o fato é que um tour pelo país fora anunciado para o verão de 2006. Isso ainda era primavera, talvez final de inverno, não lembro. O que lembro é que meu inverno cinza, nebuloso e solitário foi mais divertido com o EP do CSS tocando no I-pod. E passei pelas estações imaginando o verão, e imaginando o show da banda que se apresentaria no Avalon da sexta avenida com a vigéssima rua. Ótima localização, por sinal.
O destino pregou-me uma peça. Voltei antes de ver o show na capital do mundo. Com alguma dor, eu confesso, desembarquei em São Paulo ouvindo pelos cantos e bares da cidade sobre a tal fama internacional adquirida. Queria estar presente! E essa foi uma frustração, que digeri e me desapeguei. De lá para cá, ouvi pouco Cansei de ser sexy por considerar o som um hino dos pseudo-intelectuais do Brasil. É nessas horas que percebo a diferença de gosto entre as culturas. Mesmo a superficialidade da cultura do Norte não aceitara bem o som. E não me refiro aos americanos, mas brasileiros que por lá vivem. Eu mesmo morava em uma casa com a típica pseudo-intelectual brasileira em New Jersey. Daquelas que tinha estantes de livro que nunca tocara. Mas os tinha para citar em frases medíocres perdidas no tempo.
Enfim, por aqui todo mundo faz questão de salientar que conhece a vocalista Love Foxxx, ou que estudou com um outro membro da banda. E eu só pensava no som deles. No escracho das letras, nas fotos do fotolog oficial que visitara algumas vezes. O que irritou foi a "idolatrização", se é que tal termo exista, criada em torno de tudo isso. Parei de ouvir a tempo da poeira do sucesso baixar. Agora já são consagrados. Com clipe na supercool MTV Brasil. (faz-me rir mtv)
Voltando ao meu passeio de domingo a noite, em uma livraria da Paulista, pego a Rolling Stones, folheio procurando Gisele a todo custo. Já ouvira falar das fotos com amigos entusiastas da modelo assim como eu. Cheio de curiosidade passeei pela revista até que me deparei com a tal matéria que comentei no início. A mesma motivadora desse texto; diário de bordo do baterista da banda. Estava especificada pelos locais aonde passaram. Procurei direto o show do Avalon, que por infortúnio do destino perdi.
Foi quando percebi que nada perdi. O show fora cancelado por falta de público pagante. Até certa altura, o clube havia recebido somente trezentos pagantes e, preocupados com a reputação e tradição do local, preferiram pagar a multa de cancelamento aos músicos à arriscar a sorte por uma turnê cuja atração principal era um DJ de funk modernete do Brasil e duas bandas ainda sem expressão no país. Acho que o fato de eles terem um outro show agendado no Brooklyn na noite seguinte foi decisivo para tal atitude. Fiquei embasbacado. E aliviado. Por birra e nada além disso, nunca fui muito fã do Brooklyn e certamente teria me agendado para assistir ao show do Avalon. Seria o trigéssimo primeiro da lista dos "desconcertados".
Por essa idiota razão fiquei feliz. Senti uma certa satisfação extra por ter voltado em junho e não setembro como pensava. Fiquei sentido pela banda, que apesar de viver nessa esfera cool cretina por aqui, teve cancelado seu "début" em Manhattan. Torço para que a banda, enfim, faça um show lá. E não se limite à cena de São Paulo. Afinal, um bom rock é um som sem pátria. Usando a língua-mãe; inglês.
O mais engraçado de tudo é que li algo ruim, na verdade. Por isso me "desculpa o egoísmo". Quando não ouvia nada brasileiro além de marchinhas de carnaval e MPB, decidi, por recomendação de uma revista qualquer underground brasileira, baixar o som dessa nova banda que misturava eletrônico com rock and roll. O famoso eletrorock. Estava há mais de um ano distante fisicamente de São Paulo, e tentava escutar as mesmas tendências para não perder o tom da metrópole. Até porque sabia que voltaria; só não tinha data marcada.
Depois de cinco mp3 baixados, passei a admirar o som. Esperançoso como sempre, pensava no dia em que fariam uma turnê por lá. E por se tratar de uma banda que se expressa quase sempre em inglês, nas mãos de marqueteiro internacional de bom gosto (Marcelo Bôscoli, da Trama), jurava que ainda os veriam em solo norte-americano. Se por conspiração do universo, se por boa lábia do tal marqueteiro ou pela qualidade do som eu não sei, o fato é que um tour pelo país fora anunciado para o verão de 2006. Isso ainda era primavera, talvez final de inverno, não lembro. O que lembro é que meu inverno cinza, nebuloso e solitário foi mais divertido com o EP do CSS tocando no I-pod. E passei pelas estações imaginando o verão, e imaginando o show da banda que se apresentaria no Avalon da sexta avenida com a vigéssima rua. Ótima localização, por sinal.
O destino pregou-me uma peça. Voltei antes de ver o show na capital do mundo. Com alguma dor, eu confesso, desembarquei em São Paulo ouvindo pelos cantos e bares da cidade sobre a tal fama internacional adquirida. Queria estar presente! E essa foi uma frustração, que digeri e me desapeguei. De lá para cá, ouvi pouco Cansei de ser sexy por considerar o som um hino dos pseudo-intelectuais do Brasil. É nessas horas que percebo a diferença de gosto entre as culturas. Mesmo a superficialidade da cultura do Norte não aceitara bem o som. E não me refiro aos americanos, mas brasileiros que por lá vivem. Eu mesmo morava em uma casa com a típica pseudo-intelectual brasileira em New Jersey. Daquelas que tinha estantes de livro que nunca tocara. Mas os tinha para citar em frases medíocres perdidas no tempo.
Enfim, por aqui todo mundo faz questão de salientar que conhece a vocalista Love Foxxx, ou que estudou com um outro membro da banda. E eu só pensava no som deles. No escracho das letras, nas fotos do fotolog oficial que visitara algumas vezes. O que irritou foi a "idolatrização", se é que tal termo exista, criada em torno de tudo isso. Parei de ouvir a tempo da poeira do sucesso baixar. Agora já são consagrados. Com clipe na supercool MTV Brasil. (faz-me rir mtv)
Voltando ao meu passeio de domingo a noite, em uma livraria da Paulista, pego a Rolling Stones, folheio procurando Gisele a todo custo. Já ouvira falar das fotos com amigos entusiastas da modelo assim como eu. Cheio de curiosidade passeei pela revista até que me deparei com a tal matéria que comentei no início. A mesma motivadora desse texto; diário de bordo do baterista da banda. Estava especificada pelos locais aonde passaram. Procurei direto o show do Avalon, que por infortúnio do destino perdi.
Foi quando percebi que nada perdi. O show fora cancelado por falta de público pagante. Até certa altura, o clube havia recebido somente trezentos pagantes e, preocupados com a reputação e tradição do local, preferiram pagar a multa de cancelamento aos músicos à arriscar a sorte por uma turnê cuja atração principal era um DJ de funk modernete do Brasil e duas bandas ainda sem expressão no país. Acho que o fato de eles terem um outro show agendado no Brooklyn na noite seguinte foi decisivo para tal atitude. Fiquei embasbacado. E aliviado. Por birra e nada além disso, nunca fui muito fã do Brooklyn e certamente teria me agendado para assistir ao show do Avalon. Seria o trigéssimo primeiro da lista dos "desconcertados".
Por essa idiota razão fiquei feliz. Senti uma certa satisfação extra por ter voltado em junho e não setembro como pensava. Fiquei sentido pela banda, que apesar de viver nessa esfera cool cretina por aqui, teve cancelado seu "début" em Manhattan. Torço para que a banda, enfim, faça um show lá. E não se limite à cena de São Paulo. Afinal, um bom rock é um som sem pátria. Usando a língua-mãe; inglês.

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