Tuesday, September 19, 2006

questão

Cá estou em meu quarto ouvindo a respiração cava que vem da boca do meu irmão que desmaiou no sofá. Já passa das duas da manhã da quarta-feira, que antecede um dia atarefado. Praticamente atípico. Aula até meio dia, entrega de um trabalho atrasado na parte da tarde e uma remota possibilidade de passeio noturno por qualquer bar da cidade.
Estou usando uma calça jeans. A mesma, desde segunda-feira. Não tomei banho, mas nada fiz para tomar banho. Dormi, acordei, assisti televisão, usei o computador, fiz algumas fotos e fui no vizinho trocar uma idéia. Mas cansar mesmo, nada.
Aliás, rotina essa que me tira do sério há mais de três meses. Ando de um lado para o outro, sempre nos mesmos lugares, com as mesmas pessoas e basicamente os mesmos assuntos.
Nem tudo esta novo para mim. Nem tudo é como achei que fosse. Os dois anos que passei ensaiando atitudes, palavras e gestos frente ao espelho provou-me mais uma vez a complexividade da vida. Não se prevê a vida. A vida se vive. Um clichê que relutei acreditar, mas compreendi. Vivo assim desde desembarquei nesta terra tão idealizada.
Andar com minhas próprias pernas tem seu preço. Hoje mesmo assisti um filme aonde a personagem teve uma de suas pernas amputadas. Pior ainda, estava estática em cima de uma maca hospitalar à deriva de meros funcionários. No fundo agradeci a Deus por decidir minha vida. Ir e vir, como um qualquer; o estresse do metro pela manhã me pareceu menor.
Percebo então, o meu alto nivel de adaptação; sinto-me novamente brasileiro! Acho que tenho que ter estudo, trabalho, amor, família, saúde, educação, amigos, dinheiro sem muito esforço. Ah seu soubesse disso antes, meus últimos anos não seriam os mesmos.

1 Comments:

Blogger E said...

Na verdade, adaptação nem existe muito, eu acho. Só se acorda um dia após o outro e a coisa vai acontecendo.

Beijo.

5:37 PM  

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